Uma Carona, Um terror - Crônicas Engraçadas e Divertidas - Histórias Engraçadas

Por causa de um problema elétrico ele teve que deixar o veículo dele na oficina. Vendo isso um colega de trabalho, o solícito Oliveira, prontamente ofereceu-lhe uma carona uma vez que eles moravam bem perto um do outro. Sem se fazer de rogado logo ele aceitou a oportuna carona que o tranquilo e calmo colega de trabalho gentilemente estava lhe oferecendo. Diga-se de passagem, o colega era tão pacífico e calmo que que ele mais parecia um verdadeiro monge budista de tão manso que era o pacato cidadão.
Mas essa serenidade, esse estado de iluminação e sublimação espiritual não demorou muito a ser completamente aniquilado. Bastou o motorista zen receber duas buzinadas, uma fechada e um xingamento pra vaca ir pro brejo. O homem virou uma fera no trânsito era palavrão pra tudo quanto era lado e ele ali, já feito imã em geladeira, colado no banco do passageiro e cada vez mais de queixo caído ao ver a súbita, inesperada e monstruosa transformação daquele inofensível colega de trabalho.
Ele pensava: Nossa! Onde eu fui amarrar o meu burro. Ele estava pensando seriamente em pedir para o colega parar em qualquer lugar. Ele daria uma desculpa qualquer dizendo que ele tinha que comprar alguma coisa e depois correria mais que recordista dos cem metros rasos e pegaria um táxi para voltar para casa em segurança.
Não deu tempo. O colega corria, corria e ele já nem conseguia pensar direito tamanho era o pavor. Ele só teve tempo de se atracar ali no PQP – aquela alça que é para a gente se segurar exatamente quando tem um louco destes dirigindo - O pé então nem se fala já estava quase atravessando a lataria do carro e raspando no asfalto de tanta força que ele estava fazendo para brecar o carro. 
Como é que pode! Um cidadão tão leve,  suave e agradável como o Oliveira se transformar assim num monstro de quatro rodas estúpido e irracional. Esse trânsito de São Paulo é cruel mesmo: Pensava ele.
Se a surpresa já tinha sido desagradável, com certeza ele não imaginou que a situação poderia ficar pior ainda porque o colega era daqueles motoristas que quando ficava nervoso no trânsito ele, além de correr era vingativo. O motorista tinha o terrível ato de perseguir outros carros no intuito de devolver a afronta recebida.
Olha! O trajeto de volta para casa, era para ser curto, mas ele ficou enorme por causa do desespero e do medo que ele estava sentindo ali dentro daquela máquina de moer personalidades e aniquilar comportamentos. Numa hora daquela ele nem sabia mais se ele ia chegar em casa com vida ou não. A única coisa que ele conseguia pensar era: como a gente se engana com as pessoas. Como é que pode uma pessoa tão amável e pacífica como o Oliveira ter comportamentos tão contrários assim.
Resumindo:
Ele pensou: carona nunca mais. Com o Oliveira então? nem que ele fosse o motorista da funerária, Nem morto!




Edilson Rodrigues Silva

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